5º campeonato · Palhaço
Pandora
O palhaço Massa Fina
cansou do circo
processou o mágico
e decidiu peremptório
partir sem a trupe.
Encasacou-se resoluto.
Entr(espanto), não sabia - ou mal sabia -
que quando na baia dos elefantes,
ao fitar
os olhos bascos
e embaciados d\água
de Pandora
dis-sua-di-do seria.
Naquele estalo,
naquele estábulo,
naquele estado,
Massa Fina se deu conta
de que para quase ninguém
naquele elenco
a vida era mais que um ralo.
Então, desfez as malas
e decidiu revigorado
resistir
um pouco mais.
5º campeonato · Palhaço
Entregue a solidão praticada quase como desporto, o palhaço Massa Fina tinha no seu claustro uma rotina parcamente açodada. Exceto algum raro mal passadio de Pandora, que carecesse e encarecesse da visita de veterinário, nada nem ninguém penetrava os recônditos daquele cômico.
Sem ir à praia, à missa, à feira ou frequentar a parentela, Massa Fina foi se tornando um ser i-de-mo-ví-vel. Em dias santos, permanecia sob a lona e, desta feita, sequer reagiu às invitações maliciosas das línguas soltas:
É carnaval, Seu Massa Fina. Se não sai de vento em bunda, corra e vista uma bermuda. O que é que há?
O olhar navalhante do palhaço, agudo, partia o ar, enquanto todos daquela trupe seguiam aos saltos e às gargalhadas rumo aos cordões.
Só, enfim e sempre, Massa Fina balbuciou entre as presas:
Bermuda! Bermuda, Pandora! Acaso eu sou algum palhaço?
A paquiderme bramiu como quem encontra graça na tragédia e restou à dupla ouvir ao longe e às turras as cantigas populares importadas, naquele ano, pelo fausto da prefeitura.