5º campeonato · Vazio
Há o inteiro, o meio, e o vazio. Há o abismo que habita o peito. Há o recheio, há o defeito, ou até o perfeito. Mesmo sem jeito, implora a calma sem anseio. Se vazio lhe pareço, oco ou malefeito, desapareço em nuvens de mais do mesmo. Citrato imperfeito, nas obscuras paredes de um desassossego. Em prece, arrego; sou mais um inteiro, despedaçado ao meio, entre os vazios do teu aconchego.
5º campeonato · Estrela
Há no céu inúmeras estrelas, tão perfeitas em sua própria dimensão. Não em vão, só queria o calor de uma estrela ascendente, com teu corpo quente e febril. Dimensiono minha língua a tocar teu céu da boca, na mais louca das paixões profundas, obtusa e efêmera conduta, só me calo ao beijar tua boca. Se acha que é loucura, agarro no rastro das tuas curvas, passando pela lua, ao me debruçar sobre teu corpo. Se hoje tua estrela é minha, não dou a mínima se minha constelação chama teu nome.
5º campeonato · Pétala
Se bem me quer, a pele denuncia. Se mal me quer, me afasto sem alegria. Pétala por Pétala, me despedaço por você, por nós, em meio aos nossos lençóis. Teu cheiro de jasmim percorre a casa, invade meu peito, te inala sem parar. Ouso sonhar com nossos corpos cruzados, mesmo quando nossos caminhos não estão traçados nas mesmas linhas do acaso. Despetala-me, pois sou flor de Maio.