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Microconto

Campeonatos de microcontos · Autores

@annarodriguesromantica

6 microcontos no 4º campeonato.

4º campeonato · Terror

Dia de cão - O trem aproximava-se. Os dias de cão acabariam?

4º campeonato · Ontem

Percepção - Ontem, somente ontem, quando você disse que não me ama mais, foi que realmente percebi: há entre nós um oceano de emoções tão profundas que me afoga diariamente.

4º campeonato · Sinais

Retorno - Ficou parado diante da porta, talvez por minutos ou horas; não soube precisar. Rezava por um sinal que indicasse que ali era novamente o seu lugar. Havia partido há muito, deixando tristeza e saudade. Queria gritar, mas seu peito pesava, sentia como se tivesse engolido o mundo inteiro. Apertou os pulsos e deu um passo para trás. Quando, por fim, o medo o dominou, resolveu dar meia-volta e partir, mas parou, pois, para sua surpresa, alguém abriu a porta e de dentro, ouviu-se um sussurro de amor.

4º campeonato · Alunos

Silêncio - Naquele tempo, sentiam-se tristes, perseguidos, exilados; todos eles, alunos e professores, impedidos de exercer seu livre arbítrio. Ficavam ali presos, em sua educação bancária, mastigando ideologias, ruminando esperanças, até que, vencidos pelo cansaço, rendiam-se ao silêncio.

4º campeonato · Selo

Noite

Todos os dias, deitava-se sobre a grama, observando o céu. Por vezes, perdia-se nas horas, pescando estrelas. A noite era sua eterna companheira; há muito que a marcou com seu amor. Ela era a mãe de todas as suas crias, obscuras ou não.

4º campeonato · Rasgar

Visceral

Dizem que a dor passa com o tempo, mas Cora acredita que não. De vez em quando, essa pequena palavra monossilábica, pronunciada num só fôlego, sufoca e dá cambalhotas dentro da sua cabeça, chacoalhando os neurônios, questionando constantemente a sanidade. Parece um sino ou uma sina. Deve ser porque aquilo que rasga a alma é tão intenso e tão latente que não consegue definir. Talvez nem existam palavras que expressem o real significado do que sente. E olha que ela sente muito! Tem dias em que bate o cansaço, daqueles que a deixam quieta, imóvel, quase sem vida, mas o interessante é que somente o corpo fica em estase, a mente não. Essa não para, só pensa, indo fundo e quanto mais fundo chega, mais é possível se perder nesse carrossel de sentimentos que a inunda e afoga. É como dar um salto no escuro. Tudo é tão intenso que nem se escuta o grito visceral, que sai da sua boca. Mesmo diante disso, o mundo continua a girar e isso acelera cada vez mais o seu pensamento. Então vêm as ideações de vida e morte, de infinitude e finitude, de impossibilidade e possibilidade, de ser e não ser. Assim ela segue na busca, desejando encontrar objetivos que, por fim, deem significado à sua existência. Todos os dias costura um pouco a alma, um remendo aqui, outro acolá. E, dessa forma, segue vivendo um dia de poesia e outro de agonia.

Textos publicados pelo autor nos comentários do @3serpentes durante os campeonatos de microcontos.

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