5º campeonato · Cavalo
Sonhava com unicórnios, só encontrou cavalos.
5º campeonato · Cavalo
Sonhava com unicórnios, só encontrou cavalos.
5º campeonato · Bolinha
Os vizinhos mais próximos começaram a perguntar sobre elas, as escutavam saltitando pela madrugada. Trancado a chaves, no quarto de ferramentas, um balde repleto de bolinhas de gude, lembrança da infância.
Os donos da casa ficaram desconfiados com a inquietação dos vizinhos. Talvez as bolinhas os observassem por debaixo da porta. O balde que abrigava a saudade, virou um poço de inquietações.
5º campeonato · Bolinha
Ignorou a primeira bolinha.
5º campeonato · Palhaço
O palhaço desperdiçava toda a comida. Agora o arrependimento lhe açoitava. Na memória, bolinhos de barro e sal.
5º campeonato · Nota
Os seus dedos dedilhando o meu corpo, notas de amor pelo ar.
5º campeonato · Nota
A nota virou um enigma.
5º campeonato · Vazio
Dois vazios: FOMO e fome.
4º campeonato · Anel
Fogo no castelo, a fúria quente não poupa nada, morrem os maus, os bons e os bens. A labareda derreteu a porta. Sara correu para a sacada, enquanto isso o fogo consumia a cama e tudo que ali estava. A morte se aproximava em brasas. Sara fechou os olhos e se atirou do alto do castelo. Não, ela não morreu. Uma árvore caridosa a escondeu em sua copa. A morte ficou confusa, não sabia onde a moça estava. Quando o fogo cessou, Sara desceu da árvore e percebeu que não tinha mais nada. Em meio às lágrimas notou que ainda estava em seu dedo o anel de diamante, presente do seu pai.
4º campeonato · Abóbada
A abóbada era um portal. Fiquei deitada, a minha alma flutuou ao som da música, dançou com as feras, penetrou as florestas, visitou os meus ancestrais.
4º campeonato · Abóbada
Perdi a receita da felicidade. Sopa fria, incapaz de escrever um bilhete, cachorro que não late, burro que não zurra, é o escritor que não escreve. E se não escrevi ontem, hoje às palavras fluem. Meus dedos dançam sobre a folha, e tudo a minha volta se fez música, diante da beleza de uma abóboda.
4º campeonato · Romance
Dispensaram o padre e o pastor, o amor era tão grande que a natureza abençoou.
4º campeonato · Romance
Ela sentia saudade do amor não vivido. Nunca esqueceu o perfume, imagina os beijos, noites quentes, e assim o visitava em pensamentos. Ele acordava embriagado pelo mesmo desejo. O destino os separou, mas não era forte o bastante para impedir que eles se amassem por telepatia.
4º campeonato · Fantasia
Muito choro na sala:
— Não existe fada do dente! Mamãe, eu quero continuar com o meu dentinho. A mãe acolheu a criança em seu colo e retrucou:
— Você sabia que existe o céu dos dentes? Um lugar lindo, onde os dentes brincam juntos e descansam sobre as nuvens. Se um dentinho chega no céu vem outro mais bonito para ficar em seu lugar. Estão esperando o seu dentinho para brincar, juntos vão saltar nuvens. Admirada, a criança fazia muitas perguntas. A mãe respondia com alegria, agora eram duas crianças voadoras a desvendar os segredos do céu. Ninguém viu quando o dentinho saiu.
4º campeonato · Fantasia
O avô chamava a neta, rindo ele apontava o céu: — Olha, está faltando um pedaço! Quem comeu um pedaço da Lua?
Agora a menina estava enfeitiçada, se perdia em pensamentos sem resolver o mistério.
4º campeonato · Humor
Era mania do pai falar "animal de teta". A criança na sua inocência falou "animal de treta". Vendo que todos riam, tentou corrigir, é um de "animal de briga". Os risos foram ainda maiores.
4º campeonato · Humor
Todos estavam hipnotizados pela novela, a pena Laura interrompeu:
- Mãe, por que os adultos gostam tantos de sexo?
Boquiaberta a mãe retrucou:
- E você já sabe o que é isso?!
- Não, eu só sei que os adultos gostam muito.
4º campeonato · Humor
Todos estavam hipnotizados pela novela, a pequena Laura interrompeu:
- Mãe, por que os adultos gostam tanto de sexo?
Boquiaberta a mãe retrucou:
- E você já sabe o que é isso?!
- Não, eu só sei que os adultos gostam muito.
4º campeonato · Humor
Dona Ana estava organizando a casa e se assustou com o retorno de Kaique. O jovem estava agitado.
— O que aconteceu, menino?
— Mãe, todo lugar tem mulher, menos aqui. No centro de São Paulo tem, No Rio de Janeiro tem. É só aqui que não tem. E quando tem é feia e se sair na rua dá briga.
4º campeonato · Pico
Noradrenalina e adrenalina, duas dançarinas bailando em seu corpo. Um sussurro:
— Eu vou morrer, não consigo respirar, não consigo!
Uma forte dor no peito, o arrependimento lhe abraçou com força. Na hora da angústia extrema, sem saber que era um pico de ansiedade, pediu perdão a Deus, foi o desespero saindo da sua boca, ele sempre foi ateu. Passou a crise, agora ele nega:
— Não acredito em Deus!
4º campeonato · Pico
— Não pica!
— Eu pico! — respondeu o marimbondo exibindo o ferrão.
4º campeonato · Policial
Nenhuma erva pode curar, palavras não amenizam a dor. Desnorteada, chamei um padre para te exorcizar e a polícia para prender os demônios.
4º campeonato · Policial
Vivemos numa jaula, aumenta esse muro, põe grade na janela. A justiça é cega, a polícia tem as mãos atadas, dignidade é só uma palavra.
4º campeonato · Policial
No dia em que eu matei a saudade acionaram até a polícia.
4º campeonato · Ontem
Ontem eu quase caí de bicicleta, só para roubar uma florzinha, sabor de infância.
4º campeonato · Ontem
Decidida, construiu a máquina do tempo. Queria sentir todos os dias o mesmo prazer de ontem.
4º campeonato · Sinais
Ele tentou avisar do perigo, mas ninguém compreendia a libras.
4º campeonato · Alunos
— Lá vem a lutadora de sumô! — Era assim que os alunos se referiam a professora japonesa. Obesa, severa e de cara fechada, excepcional na maneira de ensinar. Escola dividida, um caso de amor e de ódio. Até que um filho do cão assassinou a professora, a notícia foi um rastilho de pólvora. Alguns ficaram indiferentes, talvez aliviados. Outros choravam desesperados. De repente, a professora adentrou o portão.
— O fantasma voltou para se vingar! — Alunos desesperados, passaram mal de tanto medo.
Aquele que matou a professora é da mesma classe que hoje espalha fake news.
4º campeonato · Selo
Ela quase se engasgou ao ler a carta que chegou da França, cada palavra um arrepio. Estava acesa a fogueira dos desejos proibidos. Rasgou a carta, guardou o selo como souvenir. Não sabia o que fazer com o desejo, e esse lhe perseguiu até o fim dos seus dias.
4º campeonato · Selo
Filatelista e cuteleiro, era assim que todos o conheciam. Haviam manchas de sangue em cem das trezentas páginas da coleção de selos. Urubus pareciam cães de guarda em volta da mansão. Os vizinhos denunciaram.
— É a polícia! A casa está cercada!
Uma figura cadavérica abriu o portão. Segredo selado, facas não contam, selos não falam. A casa estava extremamente limpa. O homem cadáver justificou as manchas: autoflagelação. O rottweiler no quintal olhava aterrorizado, cada pelo traduzia o medo. Sem provas, a polícia abandonou o local.
4º campeonato · Rasgar
A ventania abraçou dezenas de pássaros brancos, dançou com eles nas alturas e depois arremessou ao chão. No dia seguinte a mesma cena se repetiu, pássaros brancos dançarinos enfeitavam as alturas e logo foram arremessados ao chão. No terceiro dia de dança alguns pousaram no meu quintal. Ao colocar os óculos me surpreendi, eram cartas rasgadas.
4º campeonato · Rasgar
Com medo de ser descoberto, rasgou e engoliu os pedacinhos.
4º campeonato · Rasgar
Vestido florido, amigo de tantas andanças, agora está rasgado. É fácil achar quem te costure. Difícil é consertar o coração partido.
4º campeonato · Rasgar
Dois caras numa moto, me rasguei de tanto medo.
4º campeonato · Rasgar
Ele rasgou o verbo, ela engoliu as palavras.
Textos publicados pelo autor nos comentários do @3serpentes durante os campeonatos de microcontos.
Escolha um campeonato e uma palavra, e leia um por um, até o último.