4º campeonato · Policial
Herói.
Acordava todo dia animado, ansioso para a escola. Tinha pressa pra ser grande, queria ser um herói e combater o crime na cidade vestindo uma farda imaculada. Tomou café, beijou a mãe e partiu pro corre. Descendo o morro, viu os amigos levando um baculejo dos tiras. Deus as costas para dar no pé, mas levou um tiro traiçoeiro que atravessou o coração. No chão, sangrando, teve um vislumbre: - o vilão era meu herói.
4º campeonato · Sinais
Acidente
Não viu o sinal. Ou, na adrenalina, o ignorou, não se sabe. Acelerou, não tinha medo e a estrada parecia segura, familiar. Derrapou, perdeu o controle, capotou. Estirado no chão, um coração sangrava. No jornal, a manchete denunciava a negligência: amor acidente faz outra vítima
4º campeonato · Alunos
Vidrado
Limpava vidraças numa escola fina. Todos os dias, lembrava que o que separava seu mundo daquele era mais que uma janela de vidro, um sistema montado para que nenhum dos seus vencesse. Às 10h40 ia na janela da professora de cabelos dourados. Demorava mais ali porque ficava vidrado nas curvas desenhadas, tão complexas. Desejava ter o que nunca teve. Apaixonou-se pela portuguesa. A língua, não a professora.