11º campeonato · Bolso
Com seu teatro de bolso, ele a tinha nas mãos. Leitora ávida, leu-lhe até as entrelinhas das palmas. Não vaiou nem aplaudiu. Guardou o silêncio no bolso e saiu.
11º campeonato · Bolso
Com seu teatro de bolso, ele a tinha nas mãos. Leitora ávida, leu-lhe até as entrelinhas das palmas. Não vaiou nem aplaudiu. Guardou o silêncio no bolso e saiu.
11º campeonato · Ficção
A verossimilhança é o imposto que a verdade oficial cobra das outras ficções.
11º campeonato · Cobre
A mulher do caixa contou as moedas. “Quero que me cobre cada centavo”, insistiu a velha. “Faltam cinco.” Do fundo do bolso saiu uma moeda verde-azulada. Zinabre. “Não é maciça”, disse. “O cobre cobre uma alma de aço.
11º campeonato · Melancia
Daltônica, chamava vermelho de amarelo. A mãe deu lápis de cor com formas desenhadas: no vermelho, uma melancia. No recreio, ao ouvir “Essa melancia é amarela”, ela abraçou o colega e disse: “Melancias são vermelhas”.
11º campeonato · Ano
O ano mede um tempo.
A edição mede uma experiência.
Obrigada.
11º campeonato · Toa
Chamavam de exagero.
Ela chorava à toa.
Até que parou.
Agora sorri à toa — e ninguém pergunta por quê.
Textos publicados pelo autor nos comentários do @3serpentes durante os campeonatos de microcontos.
Escolha um campeonato e uma palavra, e leia um por um, até o último.