11º campeonato · Fotografia
Ele tirou a melhor fotografia de sua vida. Mas ninguém a viu. O vento levou a imagem.
11º campeonato · Fotografia
Ele tirou a melhor fotografia de sua vida. Mas ninguém a viu. O vento levou a imagem.
11º campeonato · Bolso
Guardei uma linda história no bolso da calça. No fim do dia, ao procurar para reler, descobriu que perdi o texto. Bolso estava furado? Não. A história caiu deixando apenas a vírgula antes do final!
11º campeonato · Banda
A banda passava e arrastava multidões. Todos seguiam a banda que tocava a campainha das casas anunciando: correio.
11º campeonato · Ficção
A vida, às vezes, lembra a ficção. Mas sem final. É uma novela infinita, sem comerciais ou pausas para o café.
11º campeonato · Cobre
A flor anel enfeitava a mão direita. Era delicada e nada discreta. Todos admiravam sua forma, sua cor avermelhada de cobre. Um certo dia, ao tentar resolver um problema elétrico, usou a flor anel. Tomou um choque e passou a usar luvas para esconder o vazio das mãos.
11º campeonato · Melancia
Plantei sementes de melancia. Colhi melancias e muita poesia!
11º campeonato · Ano
O ano novo já começou... diz a canção. O ano já está velho. O segundo mês já passou. O terceiro vai passar. E nós vamos ficar vivos e livres para festejar?
11º campeonato · Toa
Estou à toa na vida... quem dera ficar na vida à toa. Melhor voltar ao trabalho do que ficar tonta no sofá dali da pizzaria.
11º campeonato · Umbigo
O que escrever sobre o umbigo? Procurei lá. Só encontrei vazios!
5º campeonato · Cavalo
Sem cavalos!
Queria sentir toda a potência do carro. “Tem 500 cavalos!”, disse o vendedor. Caiu do cavalo: o carro parou na primeira esquina.
5º campeonato · Bolinha
A bolinha pulava, pulava, pulava, pulava... até que parou. Tinha caído no colo de um senhor que dormia na praça!
5º campeonato · Palhaço
Ele entrou no palco e já caiu. Levantou-se e fez outra graça. E mais outra. E outra... até que parou, colocou a mão na orelha como se quisesse ouvir melhor. O público estava rindo muito. O palhaço voltou ao seu número. Ele trabalhava num circo de pulgas.
5º campeonato · Marca
A marca do meu cansaço era evidente: só depois que desliguei o notebook que me lembrei de marcar presença no campeonato de microconto com um microconto.
5º campeonato · Baralho
Minha vida é um baralho! Só tem coringa e ás de paus!
5º campeonato · Cebola
Fui para cozinha preparar o almoço. O menu: bife acebolado. Empolgada com o vai e vem da faca e do corte... quem chorou foi a frigideira que fritou inúmeros anéis roxos de cebola.
5º campeonato · Vazio
Hoje estou vazia de corpo e alma. E de estômago também.
5º campeonato · Estrela
A estrela iluminava todo o céu. Eis que sua luz desapareceu. Alguém entrou no quarto e acendeu a luz.
4º campeonato · Anel
Ele era delicado e brilhoso. Era possível ver todas as cores do arco-íris. Fixo o olhar. Quero observar todos os detalhes daquele anel. Quero tocá-lo... impossível. As inúmeras bolhas de sabão que o formavam desapareceram no ar.
4º campeonato · Abóbada
O som me leva sem esforço algum. Flutuo ao som dos instrumentos que não consigo diferenciar. Ei que me transformo em uma mandala e saio voando sem destino ou parada. O som me leva e eu só levo uma vareta verde que peguei antes de me transformar agora em um pássaro.
4º campeonato · Receita
Entre os prédios, vi a lua que sorria. Fui para cozinha assar minha receita preferida: biscoitos de nata em forma de sol que ria.
4º campeonato · Receita
Coloco no fogo uma panela com água, sal, algumas ervas, cebola e alho. Enquanto a mistura ferve, seleciono os demais ingredientes. Coloco no liquidificador romances variados, contos, piadas (humor faz bem para alma), livros de receitas e um dicionário. Bato tudo. Despejo na panela e acerto o sal. Espero cinco minutos. E voalà! Uma sopa de letrinhas com história e poesia. Tome morna!
4º campeonato · Receita
Indiferente ao homem que subia e descia com cabos e canos de alumínio. Nem virava a cabeça para ver o que acontecia. Parecia uma esfinge egípcia tomando sol no deserto e olhando sempre para frente. Então o felino pulou mais alto que um atleta olímpico. A indiferença caiu: era só disfarce. O animal esperava o momento certo para pular e cair sobre o pombo que insistia em comer os restos de comida jogados no quintal.
4º campeonato · Bilhete
Adoraria receber um bilhete. Um bilhete premiado, com prêmio acumulado e com um único ganhador: eu! Enquanto não recebo nada, escrevo um bilhete para Caixa.
4º campeonato · Drama
Diante da página em branco, ela angustia-se. O desespero está crescendo e o tempo, acabando. A jovem escritora levanta-se e vai à cozinha. “Preciso me acalmar!” Mas não há relaxamento e nem ideias. Eis que o celular toca. A angustia cresce em compasso com o barulho do celular... O nervoso já virou desespero. O prazo estava acabando e ela não escreveu nada, a não ser o seu próprio nome seguido do título: O drama!
4º campeonato · Romance
Um romance com, no máximo, 350 caracteres
O romance começou na página cinco, antes tinha a capa, o sumário - vai ter capítulos - etc. Depois veio o primeiro capítulo e o primeiro parágrafo... “Acordei e não conseguia me lembrar como tinha chegado em casa”. Então me lembro que nunca escrevi um. Preciso mudar isso.
4º campeonato · Fantasia
O cavaleiro com sua reluzente armadura enfrentava um enorme dragão de cinco cabeças. Ferozes, elas avançavam sobre o nobre cavaleiro que também avançava sem medo com sua espada. A cada investida, homem e dragão gritavam de dor. Mas nenhum recuava ou desistia. A ordem era... “O almoço está na mesa, Totó!”, grita a mãe da cozinha. O menino nem se move. A luta entre cavaleiro e dragão não podia parar nem para almoçar!
4º campeonato · Fantasia
Gabi era uma menina feliz e dona de uma imaginação absurdamente fértil. O momento mais feliz de seu dia era ouvir seu avô Totó recordar as aventuras da infância que viveu em Madri. Ou seria em Cartagena? A idade avançada fazia as lembranças ao lado do irmão ganhar novos contornos. Para pequena Gabi, porém, aquelas histórias eram seu passaporte para entrar no barco de alumínio e navegar pela iluminada imaginação.
4º campeonato · Terror
Aqui não tem as formigas
O vento soprava forte lá fora. Dentro da cabana, o fogo também era forte! Então comecei a ouvir um toc toc. Um galho batendo? Não tem árvores aqui! Só o deserto, o vento e o toc toc. Procuro pelo barulho e nada. O toc toc continuava. Sento-me perto da lareira e do facão. Tinha que estar preparada para um invasor e para mais ruídos? E mais um! Mais um! Mais... O medo me dominou! Ajuntei as minhas coisas e sai sem olhar para trás.
4º campeonato · Humor
Era uma vez um contador de piadas.
Ele contava quantas piadas o fazia rir.
4º campeonato · Pico
Subi o mais perigoso dos picos. O mais assustador. Era também o mais alto. Subi o primeiro degrau da escada mais instável daqui de casa.
4º campeonato · Policial
O chão logo se tornou vermelho. O estopim frenético e nervoso parou e recomeçou inúmeras vezes. A escuridão ganhava luz, mas esta não iluminava nada. A única luz era a do poste próximo ao bar do seu Zé. Eis que o silêncio se fez presente. Agora ouve-se apenas um som: o choro desesperado de uma mãe que acabara de perder seu filho de 13 anos baleado na madrugada desta segunda-feira numa operação policial.
4º campeonato · Ontem
Ontem, tive várias ideias. Hoje... ainda poderia ser ontem!
4º campeonato · Sinais
Queria ter visto os sinais
O despertador toca mais alto que o normal. Corro. É sinal que vou perder o ônibus e chegar atrasada no trabalho. E será sinal que vou ser advertida. Mas para minha sorte entro no ônibus rápido e logo sento. Estranho... tudo vazio... é sinal de sorte. Não! Todos os sinais já avisavam e eu não vi: hoje é domingo. Já posso ver os sinais: a loucura chegou e nem me dei conta! Mesmo com os sinais.
4º campeonato · Alunos
Eles chegavam, desligavam os celulares... arrumavam os cadernos e as inúmeras canetas coloridas para a aula. A professora explicava e pedia exemplos. Os alunos respondiam empolgados. Todos falavam, comentavam, analisavam... Para finalizar, os alunos escrevem um pequeno texto. Eis que soa o sinal! A professora para de escrever e fecha seu caderno. Ela era só ficção. Ficção para ler na escola.
4º campeonato · Selo
O selo foi cortado. Abri a caixa de chocolate e comi tudo!
4º campeonato · Rasgar
Rasgo minha alma, meu corpo, meu pé? Não vi o caco de vidro quando declamava um poema e dançava na praça.
Textos publicados pelo autor nos comentários do @3serpentes durante os campeonatos de microcontos.
Escolha um campeonato e uma palavra, e leia um por um, até o último.