5º campeonato · Estrela
Como se deu o causo, não sabe explicar. Mas que havia amor, dava pra ver em toda parte. Cada onda, sal, calor, ventania, fauna, flora, era testemunha. Só sabia que o mar não era puro espelho. A areia viu o brilho e o mar lhe deu estrela.
5º campeonato · Pétala
Mal me quer
Lá vem ela, de novo, jogar toda responsabilidade pra cima de nós. Como se pudesse interferir no acaso. Espero que ela não me escolha. Ser despedaçada por uma ventania, vá lá! Pelo menos, havemos de voar. Mas ser mutilada pétala a pétala por causa de supostas paixões é demais. Que nome minha morte carregará? Pedro? Maria? José? Ana?
5º campeonato · Pétala
Natimorto
Precisava de um nome, que mal seria usado, mas eternamente lembrado. Que traduzisse a felicidade e a dor do momento. Que deixasse o perfume da saudade e dissesse da expectativa frustrada. Se a vida fosse outra chamaria de Rosa, ou Margarida. Na inteireza da coisa. Como se apresentou, só ficou os pedaços. Nas certidões se escreveu Pétala.
5º campeonato · Pétala
Deusa
Mais uma pétala caiu. Seu tempo estava acabando. Daqui a pouco seria sementes voando por aí, espalhando a possibilidade em cores. Não tinha do que reclamar. Abelhas vieram lhe beijar, muitas fotografias foram tiradas, crianças brincaram por toda parte. O jardim estava repleto de felicidade. Finalmente acreditou na Primavera.
5º campeonato · Corpo
Era uma faísca com pretensão de incêndio. Desligou o telefone. Só autorizaria um corpo apagar esse fogo.
5º campeonato · Corpo
Tendo que dar corpo a outro corpo, tomou nota. Das estrelas, brilho. Da pétala, suavidade. Do vazio, possibilidade. E a vida se fez!
5º campeonato · Corpo
Das viagens astrais só lembrava do corpo caindo em si. Ou seria uma cãibra?