11º campeonato · Diálogo
Chegou com formalidade ao meu lado, servindo promessas em taças brilhantes.
Aceitei, sorri — leve como pena no ar.
Porém, no reflexo, vi meu próprio ser em lágrimas no chão da sala de aula.
Então compreendi:
o diálogo não era com ele,
mas com o visitante silencioso
e a morte era o único amigo disposto a me escutar.
11º campeonato · Fotografia
Entre girassóis e constelações, busquei-te no alto de tua ausência.
Porém, na imagem do pintor, encontrei vestígios teus.
A fotografia não guardava o passado,
mas o sentimento do que ainda arde em mim.
11º campeonato · Bolso
No bolso do poder
não há moedas —
há ausências.
Enquanto o povo paga o preço,
o pão nasce sem café
e a dignidade
vira troco invisível.
11º campeonato · Bolso
Do bolso do tempo,
retirou o fim.
O ponteiro parou —
e o mundo respirou uma última vez.
A lágrima selou:
a criação da ruína
já havia nascido.
11º campeonato · Banda
Na balada do destino, eu dançava à beira do abismo, contemplando as estrelas.
Então, no céu, surgiu o clarão feito
um zíper de fogo rasgando o infinito.
Estive lá quando o último suspiro se extinguiu
e deu lugar ao primeiro fôlego do que viria a ser humano.
11º campeonato · Cobre
Lá fora, a chuva velava o mundo.
Dentro, o frio não era do corpo.
No limiar do silêncio,
a inocência pediu abrigo:
— Cobre-me.
E o pedido não era por calor,
mas por permanência
além da última noite.
11º campeonato · Melancia
Mamãe, você viu?
A tia de branco faz quem não pode
voltar a andar com melancia!
— Vamos comprar uma pro papai?
Ela sorriu, sutil:
não era melancia —
era o nome invisível
do milagre, polilaminina!
11º campeonato · Ano
RECOMEÇO
Aos 35, encontrou o que o tempo não dera.
No primeiro ciclo de outro ser,
ouviu o nome que o recriou:
— Papai.
E naquele ano,
não envelheceu —
nasceu.
11º campeonato · Umbigo
Fui cordão antes de ser ausência.
No colo, ainda era parte.
— Umbigo — disse ela, cansada.
Então compreendi:
há vínculos que nutrem,
e outros
que pedem corte.
11º campeonato · Moeda
Na embarcação do fim, a alma encontra o guardião que pesa destinos:
Três moedas compravam luz no paraíso.
Uma, o peso do abismo nas trevas!
Ela nada ofereceu
e, sorrindo, atravessou
o eterno ao lado da própria perda.