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Microconto

Campeonatos de microcontos · Autores

@matias.emanuel.paterno

7 microcontos nos campeonatos 5º e 4º.

5º campeonato 2

5º campeonato · Palhaço

Olhei pela fechadura: o palhaço ainda estava ali.

5º campeonato · Ninguém

¿Ser ou não ser?, o dilema do Zé ninguém.

4º campeonato 5

4º campeonato · Terror

A porta do metrô fechou. O netinho ficou pra fora. Vovô sempre volta á Estação Tatuapé.

4º campeonato · Policial

Trabalho noturno

Imagine o frio da noite de Buenos Aires. Os termômetros marcam 2 graus. Uma geada de meia noite deixa as árvores brancas. Na avenida Corrientes só trafegam os trabalhadores noturnos, as prostitutas, os bêbados, os poetas, os que estão por se quitar a vida, os que saem dos teatros, os que abandonaram a casa, os que foram mandados embora, os ladrões, os sem teto: aqueles que nunca tiveram e nunca terão. Entre lixo e papelão dorme Eduardo, na porta de um banco. Eduardo, que passou o dia vendendo balas no metrô da cidade.
Na mesma rua, a delegacia.
—Precisamos de uma laranja, está vez nós saímos do controle—diz o inspetor.
Então a polícia sai fazer seu trabalho. Adivinhem a quem acharam dormindo na porta de um banco?
Não, a Eduardo não, porque ele dorme para sempre, belas músicas de ninar cantaram para ele na delegacia. Depois, o deitaram entre lixo e papelões.
E entre os párias da noite a lei sai fazer seu trabalho.

4º campeonato · Sinais

Maria

No banheiro lavou seu rostro, escovou seus dentes, penteou seus dourados cabelos. Na cozinha desligou o feijão, bebeu um gole de café, retirou a carne do freezer. Na sala, olhou com tristeza as fotos pinduradas na parede: seus filhos, seus pais, seu marido; com um pano tirou o pó que os cobria. Subiu as escadas, a casa era grande, confortável. No quarto, com rencor, fixou o olhar na cama; tirou o roupão. Maria era bellísima, mas não suficiente. Uma viga atravessava de parede a parede, subiu na cadeira, amarrou a corda no pescoço, fechou os olhos, pulou. Ninguém viu os sinais.

4º campeonato · Alunos

Plagiando a Prèvert.

Saindo do despacho do diretor, o menino ainda com um sorriso na cara, olha ao homem parado na porta, rostro sudado, camisa molhada e coração abatido. O diretor faz um sinal de reporvação pro menino.

—Não está bem ser desobediente com o professor, não está bem não fazer as tarefas, não está bem riscar de cores o rostro do infortúnio. Quando crescer e seja adulto vai entender —pronunciou com tristeza o diretor.

O menino, ainda com as mãos cheias de cores, da um abraço ao homem que não sabia como reagir. Então o menino lhe fala:

—Quando você seja adulto de verdade, senhor, não esqueça que ainda tem um menino aí no seu coração querendo sair a brincar.

Logo, soltando-o, saiu correndo, deixando marcas de cores no ar cinzento da sua alma.

4º campeonato · Rasgar

Café de manhâ com o vô

—Conta uma velha lenda que já nascemos assim, com saudades no meio do coração, com umas doidas vontades de saber o por quê de tanta dor. Assim, com uma melancolia azul que voa absurda nas lembranças da vida, uma vida que passa frente ao nossos olhos como um pássaro noturno que se abre caminho no céu da incompreensão —disse o velho ao neto.

—Mas vô, eu te perguntei como o senhor está hoje—indaga o neto.

—Estou bem, filho —responde o velho que fica em silêncio, olhando longe, como para dentro de si, olhando como voa um pássaro azul que ainda doe

Textos publicados pelo autor nos comentários do @3serpentes durante os campeonatos de microcontos.

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