5º campeonato · Cavalo
CABRESTOS E CANÇÕES
Desconhecia sua força.
Assim que ergueu a cabeça, se soltou.
Se viu livre, e andou.
Por SI… só.
Sem nenhuma… DÓ.
5º campeonato · Cavalo
Desconhecia sua força.
Assim que ergueu a cabeça, se soltou.
Se viu livre, e andou.
Por SI… só.
Sem nenhuma… DÓ.
5º campeonato · Cavalo
Sempre preso a nós… cabisbaixo, viveu.
Tudo não passou de um trote.
5º campeonato · Cavalo
E ao redor, não havia mais nenhuma grama verde.
Só grana… verde.
Não mais adiantava reclamar, muito menos… escoicear.
5º campeonato · Bolinha
Uma bolinha veio do céu.
Seu nome: Recomeço!
5º campeonato · Bolinha
O que o matou?
Uma bolinha… e água.
5º campeonato · Bolinha
Como pode(m), tanto pesar, em uma bolinha tão pequena?
5º campeonato · Palhaço
Tem os olhos tristes, mas o sorriso… em riste!
5º campeonato · Palhaço
Compreendi o tamanho do amor, quado vi transbordarem lágrimas… coloridas… dos olhos de um Pierrot.
5º campeonato · Palhaço
Diante do espelho, já sem maquiagem, sentia que não mais existia.
5º campeonato · Marca
Trago na vida duas marcas irmãs: uma dolorosa e a outra… pesada.
Ambas filhas do medo de tentar.
5º campeonato · Marca
Na calçada… miolos, manchas e marcas.
5º campeonato · Marca
Com ferro quente derreteu, mil almas e entranhas de gelo.
5º campeonato · Baralho
Enfim, tudo ficou sobre a mesa.
Sua aliança, sua história, e sua… dignidade.
5º campeonato · Baralho
– E foi aí, então, que ela tirou a carta da morte.
– Caramba! E o que você fez?
– Corri!
– Que sorte!
5º campeonato · Baralho
E o que era para ser um momento de distração para o casal, outra vez… azedou.
Deu um último gole no uísque, se levantou, e jogou todas as cartas pela janela do apartamento.
Enfim… a sorte estava lançada.
5º campeonato · Cebola
Quando enfim me despi, de todas as minhas camadas, percebi que não era assim… tão ácido.
5º campeonato · Cebola
– Não ouse me apunhalar! Senão, o farei… chorar!
5º campeonato · Cebola
Tamanha era a pressão, que a cozinha da madame foi pelos ares. Restaram espalhadas pelo chão, camadas, de cebola e de pele… pretas.
5º campeonato · Nota
Em seu enterro, tocaram blues.
Em sua lápide: Aqui… Jazz!
5º campeonato · Nota
Quando desapareceu, apareceu… em todos os jornais.
5º campeonato · Nota
NOTA DE FALECIMENTO “PAGA” DE UM MÚSICO / ARTISTA DE RUA OBVIAMENTE QUEBRADO
Dó!
5º campeonato · Desejo
Finalmente, depois de tudo o que fez, viu-se coberto por terra.
Poderia, enfim… germinar.
5º campeonato · Desejo
Secos. Nem um colírio lhes ofereciam como alimento.
5º campeonato · Desejo
Achou que enfim, descansaria.
Ledo engano!
“Prefeitura poda a grama do cemitério.”
5º campeonato · Ninguém
Vangloriava-se por nunca ter precisado de ninguém.
Viveu só!
E no final, de si…. teve… dó.
Virou pó!
Seu ego… não o fez melhor adubo.
5º campeonato · Vazio
Diante do espelho, não mais a(s)cendia a luz.
5º campeonato · Vazio
Triste foi o seu fim.
Só em ouro, pensava.
Não morreu, colorido.
Mas viveu… apagada.
5º campeonato · Vazio
Em meio à multidão, ninguém ouviu o seu último suspiro.
5º campeonato · Estrela
A estrela não existe mais.
O brilho, é sua luz, que demora anos para aqui chegar.
O que vemos é passado.
Será que somos brilho… para algum lugar?
5º campeonato · Estrela
Entre as estrelas-do-mar e as estrelas no céu, haviam crianças, que muito embora crescidas, ainda estavam perdidas… perdiam a oportunidade de brincar.
5º campeonato · Estrela
Interior de Minas, casa da bisavó.
Bem cedo, o padeiro passava de bicicleta, gritando:
– Pão quentinho, brevidade!
A brevidade tinha o formato de estrela.
Cada mordida… um gosto de céu.
5º campeonato · Pétala
Despetalada ficou, quando viu seu beija-flor… ir visitar outra flor.
5º campeonato · Pétala
Não se poliniza a “Terra”… sem flores.
5º campeonato · Pétala
Perdera definitivamente suas pétalas, em meio a tantos… “zangões”.
5º campeonato · Corpo
Não era um homem mau, mas sim, um apreciador da vida… incompreendido.
É certo que, como todo mundo, tinha lá seus problemas.
Gostava tanto das pessoas, que procurava não absorvê-las de uma só vez.
Saboreava, pedaço por pedaço, a companhia alheia.
5º campeonato · Corpo
Rapidamente me debrucei sobre seu corpo e me entreguei por completo.
Solavancos, saliva e suor.
Naquele instante, nos faltava o ar.
Hoje, para mim, ela é só a lembrança, de que sozinho… continuo a respirar.
5º campeonato · Corpo
E quando o rico abraçou com toda força, e com os olhos cheios de gratidão, o corpo daquele pobre homem, pensaram todos ser um sinal da evolução humana.
Ledo engano! Era afogamento mesmo…
4º campeonato · Anel
O anel deixado sobre a mesa de centro, era só um detalhe…
Perturbador mesmo, era o imenso vazio deixado ao redor da mesa de centro.
4º campeonato · Anel
Quando o anel, tirou do dedo anelar.
Demoliu, o que antes era um lar.
Preferiu, de novo sozinha viver.
Definiu, como eu iria sozinho… morrer.
4º campeonato · Abóbada
A VIAGEM PARA O CENTRO…
E no escuro fizeram-se riscos. Retas, círculos, no espaço vazio, que vazio… não é mais.
Ritmos, diversos sons, conexões. Gente, animais… ancestrais.
O “Todo” que está em “Tudo”!
As diferenças, a convivência, entre os “iguais”.
A viagem para dentro de si.
A maior descoberta, dos que ainda aqui, são chamados… mortais.
4º campeonato · Receita
MUITO PRAZER… REMORSO!
E enfim percebeu, tardiamente, que a receita da felicidade não estava onde sempre procurou… nos bares, nos becos, nas ruas.
Estava sim, dentro de sua própria casa. E não estava guardada a sete chaves em alguma gaveta secreta, mas sim… estava aberta!…
Nos olhares, nos abraços, nos sorrisos, e até nos gritos… que não mais ecoam… partiram… aflitos.
4º campeonato · Receita
SONIN…
Todas as noites tomava sopa.
“Só pá dormir em pa zzz…”
4º campeonato · Receita
Sem sopa, sem salada.
Só… sanduíche!
4º campeonato · Receita
Ainda estava na fila, quando a sopa acabou.
Era mais uma barriga VAZIA, na rua CHEIA… de fome.
4º campeonato · Receita
Em seu lombo, carregava o mais pesado dos fardos… a ignorância humana.
4º campeonato · Receita
Muar ao contrário (Não o Equus asinus)
O chefe, chamado Raul, tosco e desumano, vivia a gritar com seus funcionários, chamando-os de “burros”.
Era burro pra lá, burro pra cá.
Contudo uma coisa não entendia, e sempre, muito lhe intrigava.
Quando gritava e xingava, todos respondiam:
– Sim senhor, senhor Raummm!…
4º campeonato · Receita
Com o passar dos anos, sem perceber, foi dando sopa para o azar.
Feito burro empacou, e ali ficou, até morrer… sem sair… do lugar.
4º campeonato · Receita
Seu gato morreu e foi cremado.
Ao jogar suas cinzas no lago, ventou.
Seu gato… voou.
4º campeonato · Bilhete
Partiu, sem sequer olhar para trás.
Deixou somente um bilhete:
“Nosso amor… aqui jaz!”
4º campeonato · Bilhete
Pela manhã, saiu apressadamente sem notar o bilhete sobre a cama.
Ao retornar… estranhou. Quem lhe abriu a porta, foi a solidão.
Desconsolado, sabia que dormiria, dali em diante, todas as noites, abraçado… ao remorso.
4º campeonato · Fantasia
Quando foi beijado, sapo não virou… mas… pulou.
4º campeonato · Fantasia
MEU EGOÍSMO… CONFESSO!
Queria muito no teu sonho adentrar, e torná-lo real.
Contudo, por mais que te chame, por mais que reclame, por mais que te ame, sou só… um mortal.
4º campeonato · Fantasia
São pretos, pobres, favelados.
Perderam suas pernas, com tiros de soldados.
4º campeonato · Fantasia
Meia-noite na balada, e nada de virar lobisomem.
– Serei eu, besta-fera, ou serei, besta-homem?
4º campeonato · Fantasia
– Doutor! Sou uma mulher, um jacaré, ou uma lagartixa crescida?
– E eu que sei?! Leia mais Monteiro Lobato.
4º campeonato · Fantasia
No salão, meninos de um lado, meninas do outro.
O hit do momento começa a tocar.
Ele se enche de coragem e, meio sem jeito, a chama para dançar.
Todos se animam.
A festa, agora sim, começa a bombar.
Contudo, para seu desconsolo, já é quase meia-noite, hora da festa… acabar.
4º campeonato · Terror
Final de semana na fazenda.
Pela primeira vez havia sido convidado.
Passou a noite acordado, engolindo saliva a seco.
Só matou sua sede quando o galo cantou.
4º campeonato · Terror
Exatamente há um ano, haviam partido.
Alguns lembraram do “aniversário de morte”.
Diante daqueles túmulos, vela alguma permanecia acesa.
A porta estava fechada e, no mausoléu, não havia janelas.
4º campeonato · Terror
Embebedou-se com o bom vinho.
Copulou como um animal.
Em êxtase, já não mais distinguia sobre qual espesso tom de vermelho se lambuzava.
Alta madrugada, pelo porto desapareceu.
Esqueceu-se apenas de suas digitais, impressas no cálice.
4º campeonato · Terror
Aterrorizado, não mais olhava para o espelho.
4º campeonato · Terror
Não era um homem mau, mas sim, um apreciador da vida… incompreendido.
É certo que tinha lá seus problemas.
Gostava tanto das pessoas que, inteligentemente, não as absorvia de uma só vez.
Saboreava, vagarosamente, pedaço por pedaço, a companhia alheia.
4º campeonato · Humor
A corrida para ser “alguém”… na vida
Correu tanto atrás do dinheiro que quando o alcançou, não tinha mais pernas.
4º campeonato · Humor
Ganhou na loteria, e morreu de susto.
4º campeonato · Humor
Não queria bolo, nem bala, muito menos balão.
Tudo o que queria, era soprar a vela... sozinho.
4º campeonato · Humor
Eram no“i”vos em um relacionamento vé“i”o.
4º campeonato · Humor
– Eis o poder do dinheiro: Assim que partiu, toda sua família apareceu.
4º campeonato · Humor
O cheiro do desodorante impregnava o ar. Há muito… condicionado.
4º campeonato · Humor
Muar ao contrário (Não o Equus asinus)
O chefe, chamado Raul, tosco e desumano, vivia a gritar com seus funcionários, chamando-os de “burros”.
Era burro pra lá, burro pra cá.
Contudo uma coisa não entendia e sempre muito lhe intrigava.
Quando gritava e xingava, todos respondiam:
– Sim senhor, senhor Raummm!…
4º campeonato · Ontem
Ontem, passei.
Hoje… passeio!
4º campeonato · Ontem
Ontem, era ovo.
Hoje… também!
4º campeonato · Ontem
Ontem buscava o saber.
Hoje… a sabedoria.
4º campeonato · Ontem
Ontem nos conhecíamos.
Hoje… não mais!
4º campeonato · Ontem
Todos os dias, ao acordar, sentia na boca o amargor do remédio de ontem.
4º campeonato · Ontem
Ontem, mentiram.
Hoje… mentem!
4º campeonato · Ontem
Ontem, singela criança, tinha medo de tudo.
Hoje, sisudo idoso, tem medo… do nada.
4º campeonato · Ontem
A palavra ontem dita… maldita,
será para os teus dias, doloroso fermento.
E em tua cova, esquecida, um dia, aflita,
será eterno adubo
para o teu… sofrimento.
SINAIS
carinaverna
AMOR "visto através do ultrassom, os primeiros sinais de vida. 4 cm de comprimento, mas um serzinho perfeito, pudemos ver todos os dedinhos da mão. O coração vibra, as lágrimas de amor transbordam"
4º campeonato · Sinais
Tudo o que queria, tudo o que pedia, era apenas um simples sinal.
E este lhe foi dado através de um leve e acanhado sorriso.
– Bem-vinda, coragem!
4º campeonato · Sinais
Não se viam, não se ouviam, nada diziam, mas… se tocavam.
A pele, maior órgão do corpo humano, sentia, demasiadamente, os sinais.
No escuro, e num silêncio profundo, se uniam, se descobriam, e se amavam… demais.
4º campeonato · Sinais
O dedo em riste pela manhã, foi o primeiro sinal de que naquela noite, covardemente, silenciaria para sempre… o jardim.
4º campeonato · Sinais
Nunca parta de um ponto para outro ponto, sem antes, no primeiro ponto, dar um ponto… final.
4º campeonato · Sinais
E quanto o rico abraçou com toda força, e com os olhos cheios de gratidão, o homem pobre, pensaram todos ser um sinal da evolução humana.
Ledo engano! Era afogamento mesmo…
4º campeonato · Alunos
E de repente se viram nus… doutores, mestres, políticos, cientistas, juízes, garis, lavadeiras, e até ladrões.
Todo o mundo unido, lamentava sua pequenez.
A lição havia sido dada.
4º campeonato · Selo
Em tudo, identificavam-se.
Concordavam que este mundo, nada mais tinha a lhes oferecer.
Queriam selar a mútua compreensão, homenagear o recíproco entendimento – coisa rara nos dias de hoje!…
Fizeram então um pacto de sangue.
Contudo, não uniram seus dedos, mas sim… seus pulsos.
4º campeonato · Rasgar
Transtornado, queria com as unhas rasgar aquela bela pintura, aquela imagem, aquela linda paisagem de uma cidade que, dia e noite, o vigiava e o afligia, ali, fixa na parede do seu barraco, fazendo questão de lhe mostrar tudo o que nunca poderia ter. Angustiado, e chorando muito, arranhava desesperadamente o vazio da pequena janela… aberta.
4º campeonato · Rasgar
– Não foi nada! – disse ele, enquanto levantava-se do caixão.
Desceu com certa dificuldade, rasgou sua certidão de óbito e foi procurar pela lanchonete do cemitério – queria uma xícara de café.
Ao redor, restaram os corpos desfalecidos daqueles que não conseguiram fugir.
4º campeonato · Rasgar
A cada noite, antes de dormir, rasgava lentamente, e até com certo cuidado, cada foto do álbum de retratos.
Viciou-se naquele ritual. A sensação era incrível!
Ao mesmo tempo em que suicidava-se… renascia.
4º campeonato · Rasgar
Quando flagrou o encontro daquelas duas bocas, enlouqueceu.
Cego pelo ódio, rasgou, sem remorso algum… três histórias.
4º campeonato · Rasgar
Não suportando mais a cobrança da fome, rasgou seu próprio ventre e deixou suas vísceras virarem-se… sozinhas.
4º campeonato · Rasgar
No lixão, rasgava sacos e mais sacos à procura de sobras.
E a cidade, seguia…
No lixão, comia, bebia, consumia todo tipo de sobras.
E a cidade, seguia…
No lixão, por mais que procurasse, por mais que se esforçasse, por mais fundo que cavasse, só não encontrava, a dignidade perdida.
E a cidade… seguia.
4º campeonato · Rasgar
Ao longo da rua, os sacos de lixo rasgados denunciavam a passagem da fome.
Textos publicados pelo autor nos comentários do @3serpentes durante os campeonatos de microcontos.
Escolha um campeonato e uma palavra, e leia um por um, até o último.